O CPJ ANUNCIA A ENTREGA DOS PREMIOS ANUAIS INTERNACIONAIS À LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Nova York, 25 de setembro de 2003 —O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) homenageará quatro jornalistas—do Afeganistão, da Rússia, do Marrocos e de Cuba —com o Prêmio Internacional à Liberdade de Expressão 2003, no mês de novembro.

Abdul Samay Hamed
(Afeganistão), Aboubakr Jamai (Marrocos), Musa Muradov (Rússia) y Manuel Vázquez Portal (Cuba) sofreram sérias represálias por atrever-se a informar com independência e autoridade em países onde existe escassa tolerāncia frente a opiniões divergentes.

Também John F. Burns, correspondente estrangeiro chefe do diário The New York Times receberá o Prêmio em Memória a Burton Benjamin, que o CPJ outorgará por sua destacada trajetória.

Os prêmios serão entregues em cerimônia que se realizará no Hotel Waldorf-Astoria da cidade de Nova York na terça-feira 25 de novembro. Stan O'Neal, presidente-executivo da Merrill Lynch & Co. Inc., presidirá a premiação, que será conduzida pelo apresentador da CBS Dan Rather. Rather é membro da diretoria do CPJ desde 1982.

Sobre os jornalistas agraciados com o Prêmio Internacional à Liberdade de Expressão 2003:

Abdul Samay Hamed é escritor independente, diretor, caricaturista político, poeta e uma das vozes mais importantes em defesa da liberdade de expressão no Afeganistão atualmente. Em 1998, fugiu dos talibãs e seguiu para o exílio, mas regressou no início de 2002 para fundar a Associação para a Defesa dos Escritores Afegãos e a revista Telaya. As matérias de Telaya e os comentários de Hamed sobre os problemas políticos e sociais que afetam o país lhe ganharam poderosos inimigos: em abril, dois sujeitos armados com facas atacaram Hamed na capital, Kabul, em represália às críticas que havia feito sobre o poder dos chefes militares locais.

Aboubakr Jamai
é diretor do semanário Le Journal Hebdomadaire e da publicação irmã Assahifa al Ousbouiya. Desde que os semanários foram fundados no final da década de 90, com os nomes de Le Journal y Assahif, foram abertos novos espaços no jornalismo marroquino, graças a suas incisivas reportagens investigativas sobre a corrupção oficial e no mundo empresarial, e seus artigos sobre temas políticos que constituem tabus. Em 2000, o governo fechou ambas as publicações por publicarem uma carta que vinculava um ex-primeiro-ministro com um complô, de 1972, para assassinar o Rei Hassan II. Depois de reabrir as publicações com nomes diferentes, Jamai e um colega foram condenados em 2001 por difamar o ministro de Relações Exteriores em uma reportagem investigativa que o acusava de corrupção. Os jornalistas foram sentenciados a vários meses de prisão e ao pagamento de multas e indenizações por danos e prejuízos que somavam quase 200 mil dólares norte-americanos. Os jornalistas continuam em liberdade enquanto aguardam o resultado da apelação.

Musa Muradov é redator-chefe da única publicação realmente independente da Chechênia, o semanário Groznensky Rabochy. Muradov foi perseguido e ameaçado em reiteradas ocasiões tanto pelas autoridades federais russas quanto pelos rebeldes chechenos, por se negar a deixar que o Groznensky Rabochy se converta em voz de uma das partes do conflito civil. Em 1996, um dos repórteres de Muradov morreu vítima de fogo cruzado e o próprio Muradov acabou preso em um sótão por 14 dias por causa de um intenso bombardeio na capital, Grozny. Em 1999, outro repórter foi morto e uma bomba destruiu a sede editorial do semanário, o que obrigou Muradov a abandonar a Chechênia. O jornalista continua dirigindo o semanário em Moscou e o distribui na Chechênia, apesar das cada vez maiores restrições governamentais sobre a cobertura do conflito.

Manuel Vázquez Portal foi professor de escola secundária, assessor literário do Ministério da Cultura cubano e jornalista de vários meios de comunicação estatais antes de começar a trabalhar na agência de notícias independente Cuba Press, em 1995. Quatro anos depois, Vázquez Portal foi um dos fundadores da agência noticiosa independente Grupo de Trabajo Decoro. Em março de 2003, Vázquez Portal foi detido quando o governo cubano lançou uma intensa campanha contra a imprensa independente e a oposição. No total, 28 jornalistas foram presos e condenados a penas de privação da liberdade que oscilam entre 14 e 27 anos. Portal continua no cárcere, onde cumpre pena de 18 anos baseada em acusações espúrias.

Prêmio em Memória a Burton Benjamin:

O CPJ homenageará John F. Burns, correspondente estrangeiro chefe do jornal The New York Times, com o Prêmio em memória a Burton Benjamin, outorgado pela sua trajetória de serviços prestados a favor da causa da liberdade de expressão. O Prêmio Burton Benjamin recebe o nome do falecido produtor de notícias da CBS e ex-presidente da diretoria do CPJ, que morreu em 1988.

Burns foi agraciado com os prêmios Pulitzer por seu trabalho informativo nas zonas de conflitos bélicos (em 1997 por informar sobre os combatentes talibãs do Afeganistão e em 1993 por sua cobertura na Bósnia) e dois prêmios George Polk (um como integrante da equipe que cobria a África do Sul em 1979, no auge do apartheid, e um em 1996 por suas reportagens sobre o Afeganistão). Depois de quatro décadas no jornalismo, foi nomeado correspondente estrangeiro chefe do The New York Times em abril de 2003. Trabalhou como chefe dos correspondentes do Times em Nova Déli, Toronto, Moscou e Pequim.

Ao fazer o anúncio dos prêmios, o presidente da diretoria do CPJ, David Leventhol, assinalou: "Os quatro jornalistas estrangeiros que homenageamos enfrentaram penúrias, violência e privações para realizar a tarefa jornalística mais crucial: informar com honestidade e exatidão sobre o que observam a cada dia. Nenhum deles se propôs a ser herói mas, para nós, foi nisso que se converteram".

Ann Cooper, diretora-executiva do CPJ, afirmou a respeito dos jornalistas: "Num ano em que recordamos com dor os perigos que enfrentam jornalistas ao cobrir um conflito bélico, é importante que prestemos homenagem e reconheçamos o valor dos jornalistas de todo o mundo que fazem frente a riscos similares enquanto realizam seu trabalho informativo em suas respectivas comunidades".