Por volta das 19h15 de sexta-feira, um indivíduo não identificado que se fez passar por mensageiro, entrou na casa de Aguilar com o pretexto de entregar um pacote com fotos, segundo Ovidio Hoyos, diretor da rádio Súper em Popayán, onde a vítima trabalhava. Uma vez dentro da casa, o agressor disparou três tiros contra Aguilar antes de fugir. O jornalista morreu na hora, disse Hoyos ao CPJ.
"O descarado assassinato de José Everardo Aguilar coloca fim a um
momento de calma na violência contra a imprensa colombiana", disse
Aguilar, de 72 anos, era correspondente da rádio Súper no município de Patía, no sul do departamento. Também apresentava um programa de notícias
na estação de rádio comunitária Bolívar Estéreo, detalhou Hoyos. Aguilar havia
trabalhado para a rádio Súper por 10
anos e era conhecido por suas fortes críticas à corrupção e aos vínculos entre
políticos locais e paramilitares de direita, segundo as entrevistas realizadas
pelo CPJ e informes da imprensa local. Jornalista veterano, com 30 anos de
experiência, Aguilar havia trabalhado também para as emissoras nacionais Caracol Radio e RCN, segundo as informações da imprensa colombiana.
Hoyos revelou ao CPJ que a família de Aguilar declarou que o jornalista
havia recebido ameaças por seu trabalho jornalístico. E explicou que Aguilar não havia mencionado as
ameaças a ele.
O Coronel Luis Joaquín Camacho, comandante da polícia de Cauca, informou
ao CPJ que as autoridades locais e nacionais estão investigando o assassinato. Os investigadores estão estudando o
trabalho de Aguilar como um dos possíveis motivos, acrescentou Camacho. Segundo
a imprensa colombiana, no sábado o Presidente Álvaro Uribe Vélez anunciou que o
governo daria uma recompensa a qualquer pessoa que fornecesse informações sobre
o assassinato de Aguilar.
Em um informe recente, Crimes sem Castigo 2009, o CPJ notou que o índice de mortes
havia diminuído ligeiramente na Colômbia, historicamente um dos países onde
mais jornalistas foram mortos por seu trabalho. Ainda que o governo considere esta queda fruto da
política de segurança, as pesquisas do CPJ demonstram que a existência de uma
autocensura generalizada converteu a imprensa em um alvo menos visado.
O CPJ é uma organização
independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, e se dedica a defender
a liberdade de imprensa em todo o mundo.

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