No sábado, durante seu programa semanal de rádio o Presidente Correa afirmou que recorrerá a instâncias legais administrativas para "acabar agora com a imprensa corrupta". Após a ameaça do presidente, o Conselho Nacional de Radiodifusão e Televisão - organismo encarregado de regulamentar o espaço radioelétrico - confirmou uma sanção contra a Teleamazonas, que tem outros dois processos pendentes que podem culminar com o fechamento da cadeia de televisão, disse ao CPJ o diretor-executivo do grupo equatoriano de liberdade de imprensa Fundamedios, César Ricaurte.
A CONARTEL impôs uma multa de 20 dólares
norte-americanos a Teleamazonas por
transmitir uma tourada em 17 de fevereiro, segundo a imprensa equatoriana. Uma
resolução adotada pela CONARTEL em 2008 proíbe a transmissão de touradas entre
6h00 e 21h00. No sábado, Correa afirmou que a Teleamazonas havia violado o artigo 58 da Lei de Radiodifusão e
Televisão com a transmissão de um programa, na semana passada, sobre o dano
ecológico ocasionado pela exploração petrolífera da companhia venezuelana
estatal PDVSA na ilha de Puná, no sul do país. O presidente também instou a
investigação do jornal El Universo
por publicar uma reportagem semelhante, de acordo com a imprensa.
"Ao efetuar ameaças de ação direta contra os
meios de comunicação que criticam as políticas do presidente Correa, o governo
está tentando reprimir idéias ou opiniões divergentes", afirmou o Coordenador
Sênior do Programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "Solicitamos que o
presidente Correa abstenha-se de ameaçar meios de comunicação críticos".
Em maio, a CONARTEL abriu outra investigação
contra o canal de televisão por supostamente violar o artigo 58 que proíbe
"transmitir notícias baseadas em suposições, que possam provocar
intranquilidade social", em uma matéria sobre apuração de votos. Se for punida,
a televisão pode ser suspensa por 90 dias por ser a segunda infração.
Correa teve uma relação conturbada com a imprensa
crítica equatoriana desde que assumiu a presidência em 2006. Durante seu
programa de rádio no sábado, o presidente afirmou: "Não estamos dispostos a ser
vítima de uma imprensa corrupta", e qualificou os meios de comunicação de
"conspiradores" e "desestabilizadores". Correa acrescentou que "acabou a festa,
vamos aplicar a lei" e ameaçou tomar ações diretas contra a Teleamazonas e o El Universal. A Teleamazonas
tem sido fortemente crítica à administração de Correa.
Em 28 de maio, indivíduos não identificados
lançaram bombas de fabricação caseira e panfletos antigovernamentais contra a
sede da Teleamazonas em Quito,
noticiou a imprensa equatoriana. Ninguém ficou ferido no ataque, que causou
pequenos danos na principal entrada do edifício. A polícia informou que estava
investigando o incidente.

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