Na segunda-feira, ao menos 10 soldados armados com rifles detiveram sete jornalistas que trabalham para meios de comunicação estrangeiros no hotel em que estavam, em Tegucigalpa, segundo as informações da imprensa internacional. Adriana Sivori, repórter da rede regional de notícias sediada na Venezuela Telesur, sua produtora, María José García, e seu cinegrafista, Larry Sánchez, foram detidos junto com Nicolás García e Esteban Feliz, respectivamente vídeojornalista e fotógrafo que trabalham para a Associated Press, e seus dois assistentes, não identificados, informou a AP. Os soldados levaram os jornalistas a um escritório de imigração e os libertaram pouco depois, segundo as informações da imprensa e entrevistas do CPJ. Segundo a Telesur, as autoridades confiscaram o equipamento e o telefone celular de Sivori antes de libertá-la. Oficiais militares hondurenhos indicaram que os jornalistas foram detidos por "medida de segurança", informou a Telesur.
Os sinais de duas emissoras
de televisão de Tegucigalpa e de uma rádio do interior foram bloqueados desde
cedo na manhã de domingo, segundo informações da imprensa internacional e de
jornalistas locais. O sinal do Canal 8,
televisão nacional de propriedade do governo, foi restabelecido na noite de
segunda-feira, disseram repórteres locais. A Radio Progreso, emissora jesuíta que transmite da cidade de El
Progresso, no norte do país, voltou ao ar na tarde de terça-feira segundo
informaram repórteres ao CPJ. No entanto, a televisão privada Canal 36, que de acordo com fontes do
CPJ havia apoiado Zelaya, continuava fora do ar na tarde desta terça-feira.
As transmissões de
televisão a cabo foram bloqueadas de modo intermitente no domingo e na
segunda-feira, afetando o sinal das emissoras internacionais Telesur e CNN, explicaram jornalistas locais. No domingo, enquanto ocorria o
golpe de estado, as estações locais de televisão e rádio continuaram com sua
programação habitual e não informaram imediatamente sobre a situação política,
segundo jornalistas locais que pediram para não serem identificados por temor
de represálias. Os meios de comunicação estrangeiros foram os primeiros a
noticiar sobre a destituição de Zelaya, acrescentaram.
"Estamos preocupados com as
informações sobre detenções de jornalistas, bloqueios de sinais de transmissão
e fechamento de meios de comunicação, afirmou o subdiretor do CPJ, Robert
Mahoney. "Instamos os que estão no poder a permitirem que todos os jornalistas
e meios de comunicação possam informar livremente e sem temor a represálias
sobre a atual situação política. A população hondurenha e a audiência
internacional têm direito de ser plenamente informadas sobre os eventos que
estão ocorrendo após o golpe de estado".
Elán Reyes Pineda,
presidente do sindicato de jornalistas de Honduras, disse que manifestantes que
apóiam Zelaya ameaçaram jornalistas durante os protestos de rua e lançaram
objetos contra os escritórios de vários meios de comunicação em Tegucigalpa.
Ninguém ficou ferido. A Telesur
informou que uma de suas repórteres, Madelein García, havia recebido
intimidações por telefone de um indivíduo que se identificou como militar e
ameaçou detê-la se não deixasse de cobrir as manifestações em favor de Zelaya.
Reyes assinalou que havia falado com altos oficiais militares que prometeram
garantir a segurança da imprensa.
As tentativas do CPJ de
contatar autoridades governamentais ou militares não tiveram êxito.
Soldados do exército
hondurenho prenderam Zelaya no domingo e o enviaram para a Costa Rica em um
avião. Zelaya buscava um referendo constitucional para eliminar os limites do
mandato presidencial e permitir que se candidatasse para um segundo mandato
como presidente, informou a imprensa internacional. Ainda no domingo, o líder
do Congresso Roberto Micheletti foi empossado presidente.

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