Na sexta-feira, a Polícia Nacional da Colômbia prendeu Arley Manquillo Rivera, conhecido como "El Huracán" (O Furacão), em uma barreira de controle rotineira nos arredores da capital departamental, Popayán, de acordo com um comunicado da polícia. As autoridades acreditam que alguém contratou Manquillo, que supostamente possui vínculos com o grupo local de narcotraficantes Los Rastrojos, para assassinar Aguilar, informou ao CPJ o porta-voz da polícia, que acrescentou que a polícia prendeu Manquillo com base nas descrições sobre o agressor fornecidas por testemunhas.
Manquillo negou o envolvimento no assassinato,
disseram jornalistas locais ao CPJ.
Aguilar era correspondente da rádio Súper em Patía, ao sul do departamento
de Popayán. Segundo fontes policiais, os investigadores
estão considerando o trabalho informativo de Aguilar sobre corrupção local e
departamental como possível motivo de sua morte. O filho do jornalista, Martin,
e colegas da rádio Súper disseram ao
CPJ que acreditam que Aguilar foi assassinado em represália por seu trabalho.
"Saudamos a pronta investigação do assassinato
de nosso colega José Everardo Aguilar por parte das autoridades colombianas",
declarou o Coordenador Sênior do Programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "As autoridades devem se assegurar que todos os
envolvidos na morte de Aguilar, incluindo os autores intelectuais, sejam
julgados".
Um indivíduo que se fez passar por mensageiro entrou na casa de
Aguilar na noite de 25 de abril com o pretexto de entregar um pacote com fotos,
segundo as apurações do CPJ. Uma vez dentro da casa, o agressor disparou três vezes contra Aguilar,
de 72 anos, e fugiu. Aguilar havia trabalhado para a rádio Súper por 10 anos e era conhecido por suas fortes críticas à
corrupção e aos vínculos entre políticos locais e paramilitares de direita,
segundo as entrevistas realizadas pelo CPJ e informes da imprensa local.
Jornalista veterano, com 30 anos de experiência, Aguilar havia trabalhado
também para as emissoras nacionais de rádio Caracol
Radio e RCN, segundo as
informações da imprensa colombiana. Martín Aguilar disse ao CPJ que seu pai
havia recebido ameaças de morte há dois anos, mas não tinha conhecimento de
nenhum incidente recente.
O presidente colombiano Álvaro Uribe Vélez havia anunciado uma
recompensa para quem fornecesse informações sobre o assassinato de Aguilar,
noticiou a imprensa colombiana.
Em um
relatório recente, Crimes sem Castigo 2009, o CPJ notou que o índice de mortes
havia diminuído ligeiramente na Colômbia, historicamente um dos países onde
mais jornalistas foram mortos por seu trabalho. Ainda que o governo considere esta queda fruto
da política de segurança, as pesquisas do CPJ demonstram que a existência de
uma autocensura generalizada converteu a imprensa em um alvo menos visado.

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