Luis Valdez e Solio Ramírez, dois ex-funcionários públicos da cidade de Coronel Portillo, no Departamento [estado] de Loreto, foram absolvidos de planejar o assassinato de Rivera depois que o Superior Tribunal de Lima concluiu que não havia evidências suficientes para condená-los por instigação ao assassinato, noticiou a imprensa peruana. A promotoria distrital havia solicitado ao tribunal uma sentença de 20 anos de prisão para os acusados.
“Este veredito é decepcionante para os
meios de comunicação peruanos que o veem como um sinal de que os crimes contra
jornalistas ficarão impunes”, afirmou Carlos Lauría, coordenador sênior do
programa das Américas do CPJ. “Instamos a Suprema Corte a reverter a decisão e
garantir que um novo julgamento leve em conta todas as evidências”.
A família de Rivera apresentou uma
petição de anulação perante a Suprema Corte de Justiça peruana hoje, disse ao
CPJ o advogado da família, Carlos Rivera. Se a Suprema Corte aceitar o recurso,
Valdez e Ramírez podem enfrentar um novo julgamento, explicou o advogado. Outro
recurso de nulidade foi apresentado pelo promotor distrital na segunda-feira,
disse Carlos Rivera. A Suprema Corte pode anular os procedimentos judiciais de
tribunais inferiores.
De acordo com o advogado, a evidência
apresentada durante o julgamento demonstrou uma clara ligação entre Valdez e
Ramírez e a conspiração para assassinar Rivera. As declarações das testemunhas,
especialmente dos dois condenados pelo crime, constituem uma forte evidência
contra os ex-funcionários, disse o advogado. O tribunal, composto por três
juízes, alegou que os condenados pelo assassinato de Rivera haviam mudado suas
versões dos fatos em várias ocasiões.
Em 12 de abril de 2004, dois homens
armados não identificados mataram Rivera a tiros na loja de vidros de sua
propriedade na cidade de Pucallpa, no Departamento de Ucayali. O jornalista era
apresentador do programa matutino “Transparencia”, transmitido através da emissora Frecuencia Oriental.Controvertido, Rivera era conhecido por
suas fortes críticas às autoridades locais e regionais. O repórter havia
acusado o então prefeito Valdez de corrupção na venda de terras ocupadas na
região.
Em novembro de 2007, o Superior
Tribunal de Ucayali sentenciou Lito Fasabi, conhecido como Chino Lito,
a 35 anos de prisão pelo assassinato de Rivera; e Alex Panduro Ventura,
conhecido como Trolón, a 20 anos de prisão por atuar como intermediário entre o
assassino e o autor intelectual. Segundo os meios de comunicação locais, tanto
Fasabi como Panduro acusaram Valdez e Ramírez de serem os autores intelectuais
do crime.
Valdez é ex-prefeito de Coronel
Portillo e Ramirez é ex-funcionário do mesmo município. Atualmente, Valdez
também enfrenta uma acusação por lavagem de dinheiro, segundo a imprensa
peruana.

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