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Apresentador de rádio angolano assassinado a tiros

Nova York, 8 de setembro de 2010--Depois do assassinato na segunda-feira de Alberto Graves Chakussanga, jornalista de uma emissora de rádio crítica ao partido governante, MPLA, as autoridades angolanas devem conduzir uma completa e transparente investigação que explore todas as possíveis pistas e levar os responsáveis à justiça, disse hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas.

Familiares e vizinhos de Chakussanga encontraram o jornalista caído, baleado nas costas, em um corredor de sua casa no distrito de Viana, em Luanda, na manhã de segunda-feira, de acordo com jornalistas locais. Ele era apresentador de um programa semanal de notícias com participação de ouvintes, em língua Umbundu, na emissora privada Rádio Despertar.

O motivo para o assassinato ainda não está claro. Colegas disseram ao CPJ que a única coisa que faltava em sua casa era um botijão de gás. Nenhuma prisão foi efetuada.

"Condenamos o assassinato de Alberto Chakussanga", disse o Coordenador para a  Defesa dos Jornalistas na África, Mohamed Keita. "Pedimos às autoridades angolanas que considerem todos os possíveis motivos para este assassinato, inclusive seu trabalho jornalístico".

Chakussanga possuía uma legião de ouvintes entre os Ovimbundu, o maior grupo étnico angolano originário do sul do país, base do antigo movimento rebelde UNITA, de acordo com jornalistas locais. A Rádio Despertar foi lançada em dezembro de 2006 sob os termos do acordo de paz de 2002 entre o partido governante, MPLA, e a UNITA.

Em uma coletiva de imprensa na terça-feira, o secretário do comitê executivo do MPLA para a informação, Rui Falcão, acusou a Rádio Despertar de repetidamente incitar a população a cometer "desobediência civil" desde segunda-feira, em apoio ao antigo movimento rebelde UNITA, de oposição, de acordo com informações da imprensa.  As denúncias foram baseadas em entrevistas e comentários que criticava o desempenho do governo. Em um comunicado à imprensa divulgado hoje, a Rádio Despertar rejeita as declarações como "infundadas e difamatórias", e afirma sua independência editorial. Jornalistas angolanos disseram que a estação tem sido crítica tanto à UNITA quando às autoridades, e que alegam que o governo interfere eletronicamente em sua frequência em regiões de Luanda.

Chakussanga, 32, também era professor assistente da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto e da academia de polícia angolana, de acordo com jornalistas locais. Poucas horas antes de sua morte, Chakussanga havia deixado sua esposa grávida no hospital, onde mais tarde, no mesmo dia, ela deu à luz a um menino, disseram seus colegas.

O CPJ é uma organização independente sem fins lucrativos sediada em Nova York, e se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo.

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