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Jornal peruano atacado; editor ameaçado

Nova York, 9 de março de 2011-O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena o atentado com explosivos de fabricação caseira contra o jornal peruano Voces. O diretor de jornalismo informou ao CPJ que recebeu ameaças recentemente, depois de publicar reportagens críticas sobre um candidato ao congresso nacional.

Segundo entrevistas do CPJ e grupos de liberdade de imprensa locais, por volta das 3h30 de sábado, três desconhecidos em motocicletas lançaram três bombas incendiárias improvisadas contra os escritórios do jornal na cidade de Tarapoto, na região de San Martin, norte do país. As bombas explodiram na entrada do edifício e causaram um incêndio que foi rapidamente debelado por funcionários do Voces e vizinhos. Ninguém ficou ferido, mas o Voces informou que o edifício sofreu danos materiais.

Uma semana antes do ataque, o diretor de jornalismo do diário, Lenin Quevedo, recebeu uma série de ameaçadoras mensagens de texto anônimas em seu celular, contou o jornalista ao CPJ. Uma delas o advertiu: "Você está colocando a corda no pescoço... fique fora da política".

O Voces havia publicado, recentemente, uma série de artigos sobre a suposta corrupção de um candidato ao congresso, incluindo roubo de água. Esta reportagem também foi transmitida em um programa de notícias na TV apresentado por Quevedo ("Reacción"), que aborda temas políticos e ambientais. O candidato respondeu em uma transmissão de rádio, negando as acusações e alegando que Quevedo o estava extorquindo, afirmou o diretor de jornalismo. Quevedo negou a acusação.

Na segunda-feira, um representante da polícia nacional, órgão que está investigando o ataque, confirmou que proporcionará segurança adicional ao Voces.

"Estamos preocupados com os ataques contra o Voces e instamos as autoridades locais a realizar uma investigação minuciosa e a processar os responsáveis", declarou Carlos Lauría, coordenador sênior do programa das Américas do CPJ. "Os jornalistas no Peru têm direito de informar ao público sobre assuntos relativos à corrupção oficial sem temer represálias."

Após o ataque, o Voces contratou uma empresa de segurança para proteger as instalações. Quevedo disse ao CPJ que no domingo um dos agentes de segurança disparou três vezes para espantar um grupo de cinco indivíduos suspeitos que se aproximava do jornal. 

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