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Dois meios de comunicação atacados no México em uma semana

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Nova York, 27 de março de 2112 - As autoridades mexicanas devem investigar os ataques contra um jornal e um canal de televisão no estado de Tamaulipas e garantir que seu pessoal e suas instalações estejam protegidos, afirmou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Os dois ataques ocorreram em um período inferior a uma semana.

Um carro-bomba explodiu em frente às instalações do jornal Expresso por volta das oito da noite de 19 de março, segundo as informações da imprensa. O atentado causou danos em veículos próximos e deixou cinco transeuntes feridos, noticiou a imprensa. Pouco depois do ataque, o Expresso publicou uma declaração sobre a bomba em seu site, mas logo depois a removeu e o site do jornal ficou desconectado durante um dia, informou o jornal Vanguardia.

Na segunda-feira, um agressor não identificado atirou uma granada contra as instalações da rede Televisa na cidade de Matamoros, de acordo com reportagens. Ninguém ficou ferido, segundo a imprensa. O ataque não foi confirmado pela rede de televisão nem pelas autoridades, indicou o noticiário.

Os motivos para ambos os ataques é desconhecido. Um jornalista, que conversou com o CPJ sob a condição de anonimato por temor a represálias, disse que seus colegas suspeitam que os ataques tenham a intenção de intimidar a imprensa antes das eleições gerais de julho. Nenhum dos meios de comunicação atingidos costuma noticiar sobre atividades criminosas.  

"Enquanto o México se prepara para as eleições gerais, as autoridades devem enviar uma mensagem clara no sentido de que não tolerarão ataques contra instituições democráticas vitais como a imprensa", disse Carlos Lauría, coordenador sênior do programa das Américas do CPJ. "O governo deve investigar em profundidade os ataques contra o Expresso e a Televisa e processar os responsáveis".

As instalações da Televisa já foram atacadas anteriormente. Em agosto de 2010, indivíduos não identificados lançaram uma bomba de fabricação caseira contra seus escritórios em Matamoros e, no mesmo mês, edifícios da rede em Ciudad Vitoria e Monterrey foram atacados com um carro-bomba e uma granada, mostra a pesquisa do CPJ.

Em vastos territórios do México o crime organizado tem aterrorizado e silenciado a imprensa regional. No início deste mês, o senado aprovou uma emenda constitucional que, se aprovada pela maioria dos estados, outorgaria às autoridades federais a jurisdição sobre os crimes contra a liberdade de expressão.

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