Nova York, 5 de maio de 2009--Um
jornalista mexicano, que criticava autoridades locais no estado de Durango, no
norte do país, foi morto a tiros no domingo.
Em uma matéria publicada na véspera de sua morte, o repórter relatou que
havia recebido ameaças de funcionários do governo local. Hoje, o Comitê para a
Proteção dos Jornalistas (CPJ) instou as autoridades locais e federais a
investigarem o crime de forma diligente e rigorosa.
Por volta das 17h00 de domingo, duas
caminhonetes picape interceptaram Carlos Ortega Samper, repórter
do jornal El Tiempo de Durango, da
cidade de Durango, quando ele se dirigia para sua casa no povoado de Santa
María El Oro, 320 km ao norte da capital do estado. Jornalistas do El Tiempo
de Durango contaram que quatro indivíduos não identificados saíram dos
veículos e retiraram o jornalista de seu carro. Ortega resistiu e os agressores
dispararam três vezes em sua cabeça com uma pistola calibre 40, segundo as
informações da imprensa e entrevistas do CPJ. Ortega, de 52 anos, morreu na
hora. Em uma matéria publicada no sábado, Ortega
alegou que o prefeito Martín
Silvestre Herrera e Juan Manuel Calderón Guzmán, representante local de
programas federais, o haviam ameaçado por reportagens recentes sobre as
condições de um matadouro local. No mesmo artigo, Ortega relatou que estava investigando um oficial da
polícia local, Salvador Flores Triana, por suposta corrupção. O jornalista
disse que os três homens deveriam ser responsabilizados se qualquer coisa
acontecesse com ele ou com sua família. Ortega, que também era advogado, havia trabalhado como correspondente do
El Tiempo de Durango em Santa María El Oro por, pelo menos, um ano. Seu editor, Saúl García, contou ao CPJ que
acredita que o homicídio de Ortega ocorreu em retaliação por suas matérias
sobre corrupção no governo local. No entanto, disse não poder indicar
uma reportagem específica. "Estamos chocados com o homicídio de Carlos Ortega Samper", declarou o
Diretor Executivo do CPJ, Joel Simon. "Dadas as acusações do jornalista contra funcionários locais, é imperativo
que as autoridades locais cooperem com as federais na investigação de seu
assassinato. É hora de pôr um fim à impunidade nos casos de assassinato de
jornalistas mexicanos". García disse ao CPJ que o escritório da Procuradoria Geral do estado
está encarregado da investigação da morte de Ortega. As autoridades não divulgaram um possível motivo
para o crime. Por ser feriado nacional, as repartições públicas estavam fechadas em
Santa María El Oro hoje e o CPJ não pôde contatar os funcionários citados em
seus locais de trabalho. Repetidas
ligações para as residências de Calderón e Silvestre não foram atendidas. Uma
mulher que atendeu ao telefone de Flores, e se identificou como sua esposa,
disse que o policial não estava em casa. A cobertura feita pela imprensa mexicana sobre o assassinato faz
referência ao último artigo de Ortega e às acusações aos três funcionários
públicos. As reportagens não
mencionam réplicas dos funcionários. Segundo o relatório anual do CPJ, Ataques à Imprensa, o México é um dos locais mais perigosos do
mundo para jornalistas. Desde
2000, 25 jornalistas foram mortos, ao menos oito
em represália direta por seu trabalho. Além disso, sete jornalistas estão desaparecidos desde 2005. A maioria cobria crime organizado ou
corrupção. Segundo as investigações do CPJ, as autoridades locais e estaduais
mexicanas têm sido ineficientes na tentativa de resolver casos vinculados à
imprensa e, em algumas ocasiões, foram cúmplices dos crimes. Em junho de 2008, uma delegação do CPJ se reuniu com o Presidente Felipe Calderón, que
expressou seu apoio a uma legislação que protegesse a liberdade de expressão.
Em abril, a Câmara dos Deputados aprovou uma lei que impõe duras penas aos crimes contra "a
atividade jornalística". O projeto de lei está parado no Senado.

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