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Jornalistas colombianos ameaçados por informar sobre restituição de terras

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Bogotá, Colômbia, 8 de maio de 2013 - Um grupo obscuro que alega se opor aos esforços de restituição de terras na Colômbia advertiu oito jornalistas que cobrem a questão para que deixassem a cidade de Valledupar, no norte do país, ou seriam mortos, de acordo com entrevistas realizadas pelo CPJ e reportagens.

Em um panfleto datado de 5 de maio e distribuído a meios de comunicação em Valledupar no dia seguinte, a organização autointitulada Exército Antirrestituição de Terras disse que os repórteres tinham 24 horas para deixar a cidade ou se tornariam alvo de ataques. "Se continuarem metendo o nariz em casos de restituição de terras e vítimas, vocês serão as próximas", dizia o panfleto que inclui a imagem de uma arma automática. "Este é o primeiro e o último aviso que damos".

Os jornalistas ameaçados trabalham em Valledupar, capital da província [estado] de Cesar, e trabalham para emissoras de TV, rádio e jornais locais e nacionais. Todos cobriram a questão da grilagem de terras ocorridas durante o conflito civil na Colômbia, bem como os recentes esforços do governo nacional para devolver as propriedades roubadas aos seus legítimos proprietários.

"As pessoas por trás deste deplorável panfleto querem proteger seus interesses pessoais silenciando a cobertura noticiosa", disse em Nova York o coordenador sênior do programa do CPJ para as Américas, Carlos Lauría. "Protegendo estes jornalistas e detendo os que estão por trás das ameaças, as autoridades estarão defendendo o direito dos seus cidadãos à informação sobre esta importante questão".

Os oito jornalistas se encontraram na terça-feira com funcionários do Ministério do Interior e da polícia que prometeram fornecer-lhes segurança. "Eles não têm necessidade de fugir Valledupar porque vamos garantir sua integridade, bem como o seu direito de fazer o seu trabalho. Vamos investigar a capturar os responsáveis por estas ameaças", disse o coronel Juan Pablo Guerrero, comandante da polícia em Cesar, de acordo com informações da imprensa.

Katia Ospino, jornalista do programa de notícias da TV Bogotá "Noticias Uno" que estava entre os profissionais ameaçados, disse ao CPJ: "Eu não vou ser silenciada. Vou continuar informando sobre estas questões. Nenhum de nós falou nada sobre deixar Valledupar".

As guerrilhas de esquerda e os paramilitares de direita que combateram antes da desmobilização, em meados de 2000, assim como narcotraficantes, foram responsáveis por roubo de terras que alcança a marca de 13 milhões de acres e faz com que o país tenha um dos índices menos equitativos de distribuição de terras na América Latina, segundo as informações da imprensa.

Em 2011, o governo colombiano criou uma agência de restituição que recebeu mais de 30 mil solicitações em todo o país e está envolvida na realização de cerimônias no norte do país de devolução de terra a seus legítimos proprietários, segundo a Human Rights Watch. Entretanto, muitos ativistas de direito à terra foram ameaçados ou assassinados, segundo as informações da imprensa.

As autoridades possuem poucas informações sobre o Exército Antirrestituição de Terras, que anunciou sua formação no ano passado. Mas um jornalista de Valledupar, que falou ao CPJ sob a condição de manter o anonimato, especulou que o panfleto seria obra de um grupo de proprietários locais que se beneficiou com esta questão e se opõe aos esforços de restitutição do governo.

Além de Ospina, os jornalistas ameaçados são: Herlency Gutiérrez de RCN Radio; Jaime José Daza da rádio Maravilla Stereo em Valledupar; Damaris Rojas do jornal Al Día Valledupar; Renier Asprilla do diário El Heraldo de Barranquilla; Óscar Arzuaga da Rádio Guatapuri em Valledupar; Ubaldo Anaya Flórez do "Noticiero RPT" da Valledupar TV, e Martín Mendoza da Caracol Televisión e do jornal El Pilón de Valledupar.

Com 44 jornalistas mortos por seu trabalho desde 1992, a Colômbia tem sido historicamente um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas, segundo a pesquisa do CPJ. O Índice de Impunidade do CPJ, lançado na semana passada, revelou que nos últimos anos o país melhorou seu histórico, com a diminuição da violência letal contra a imprensa.

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