De acordo com o diário Milenio, as autoridades encontraram o corpo de Eliseo Barrón Hernández, repórter e fotógrafo do jornal La Opinión de Torreón, no município de Gómez Palacio, estado de Durango, onde ele residia. O subprocurador geral do estado de Durango, Noel Díaz, disse à imprensa que o corpo de Barrón foi encontrado em uma vala com um tiro na cabeça, segundo informou a agência The Associated Press.
A esposa do
jornalista declarou a repórteres locais que, por volta das 20h00 de
segunda-feira, ao menos oito indivíduos armados e com os rostos cobertos
invadiram a casa de Barrón, o agrediram e o arrastaram, forçando-o a entrar em
um veículo Nissan Tsuru branco estacionado em frente à residência. Ele não foi visto desde então.
Barrón, de
35 anos, havia trabalhado na editoria de polícia durante uma década para o La Opinión, situado no estado vizinho de
Coahuila, de acordo com o jornal El
Universal. Nos dias que
antecederam seu sequestro, o jornalista havia feito a cobertura de um escândalo
de corrupção na polícia de Torreón que culminou com a demissão de 302 agentes e
a investigação de outros 20, segundo o Milenio.
As
autoridades locais não divulgaram nenhuma pista sobre a investigação nem sobre
os possíveis motivos para o sequestro e assassinato de Barrón. As autoridades federais assumiram o caso,
informou o Milenio, ainda que não
esteja clara a razão.
"Condenamos
o brutal assassinato de Eliseo Barrón Hernández e enviamos nossas condolências
a seus familiares e amigos" disse Carlos Lauría, Coordenador Sênior do Programa
das Américas do CPJ. "Instamos
os investigadores mexicanos a examinarem de forma exaustiva o trabalho
informativo de Barrón sobre a criminalidade e a corrupção, a encontrarem os
responsáveis e processá-los. Os jornalistas devem poder informar sobre temas
que afetam a vida diária dos cidadãos mexicanos. A saúde da democracia mexicana
depende da capacidade dos meios de comunicação de poderem informar com
liberdade".
Por volta
das 17h00 de 3 de maio, quatro indivíduos não identificados balearam Carlos
Ortega Samper,
repórter do diário El Tiempo de Durango,
sediado na Cidade Durango, quando ele se dirigia para sua casa, em Santa María
El Oro. Em um artigo
publicado na véspera do ataque, Ortega afirmou ter recebido ameaças de
funcionários locais relacionadas a reportagens recentes. As autoridades
continuam investigando o assassinato de Ortega, mas ainda não divulgaram
nenhuma informação sobre o inquérito.
Segundo o informe anual do CPJ, Ataques à Imprensa, o México é um dos
lugares mais perigosos do mundo para jornalistas. Desde 2000, 25 jornalistas foram mortos, ao menos oito em represália direta por seu
trabalho, e sete desapareceram desde 2005. A maioria investigava crime
organizado e corrupção.
Segundo as investigações do CPJ, as autoridades locais e estaduais
mexicanas têm sido ineficientes na tentativa de resolver casos vinculados à
imprensa e, em algumas ocasiões, foram cúmplices dos crimes. Em junho de 2008, uma delegação do CPJ se reuniu com o Presidente Felipe Calderón, que
expressou seu apoio a uma legislação que protegesse a liberdade de expressão.
Em abril, a Câmara dos Deputados aprovou uma lei que impõe duras penas aos crimes contra "a
atividade jornalística". O projeto de lei está parado no Senado.
"Os
sucessivos assassinatos de jornalistas no México se converteram em uma ameaça
direta não apenas para a liberdade de imprensa, mas, também, para a viabilidade
das instituições mexicanas", declarou

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