Por volta das 23h00, dois homens usando máscaras invadiram o escritório da estação local Radio Visión onde Miranda e seu irmão José estavam trabalhando, disseram ao CPJ repórteres locais. Os agressores atiraram várias vezes contra o pescoço de Miranda, informou ao CPJ o porta-voz da procuradoria estadual de Chihuahua, Julio César Castañeda. Segundo a imprensa, o jornalista morreu no local. Seu irmão não foi ferido.
Miranda, de
44 anos, conhecido como “El Gallito”, escrevia a coluna “Cotorreando com el Gallito” na Internet e era apresentador da Radio
Visión. Repórter
com 15 anos de experiência, Miranda era conhecido por sua abordagem direta
sobre temas sociais, segundo o jornal El Universal. Em seus artigos mais
recentes, criticou veementemente a falta de segurança em Nuevo Casas Grandes e
região. Sua última coluna, postada na terça-feira, abordou uma série de
25 assassinatos ocorridos neste mês. Miranda descreveu estes homicídios como
execuções e apontou que grupos do crime organizado local seriam os autores.
As
autoridades disseram a jornalistas mexicanos que estão revisando as colunas
mais recentes de Miranda para encontrar um motivo.
“Norberto
Miranda Madrid é o quinto jornalista assassinado no México este ano, em uma
alarmante série de homicídios que converteram o México em um dos países mais
perigosos do mundo para o exercício do jornalismo”, explicou Carlos Lauría,
coordenador sênior do Programa das Américas do CPJ. “As autoridades mexicanas devem pôr fim à impunidade
nos homicídios de jornalistas ao levar à justiça os assassinos de Miranda”.
Segundo o relatório anual do CPJ, Ataques à Imprensa, 29
jornalistas – incluindo Miranda – foram assassinados desde o ano de 2000, ao
menos 10 deles em decorrência direta de seu trabalho informativo. Sete jornalistas desapareceram desde 2005. A maioria cobria crime organizado
ou corrupção governamental.
Em 25 de
maio, agressores não identificados sequestraram o repórter Eliseo Barrón Hernández de sua casa em Torreón, estado de
Durango. Seu corpo foi
encontrado no dia seguinte em uma vala. Em junho, a Procuradoria Geral da
República anunciou que um dos cinco detidos pelo exército mexicano havia
confessado ser o assassino de Barrón e implicado os demais. O suposto agressor,
que segundo os funcionários púbicos era parte do braço armado do cartel do
Golfo, Los Zetas, teria explicado aos investigadores que Barron havia sido
assassinado para ensinar outros jornalistas a não falarem sobre Los Zetas.
Três outros
jornalistas foram mortos em 2009. Em 12 de janeiro, o fotógrafo Jean Paul Ibarra foi morto a tiros na cidade de
Iguala, em Guerrero. Em 3 de maio, agressores retiraram o repórter Carlos Ortega Samper de sua caminhonete e o assassinaram
a tiros nas montanhas de Durango. Em 28 de julho, as autoridades encontraram o
corpo do apresentador de rádio de Acapulco, Juan Daniel Martínez Gil, que havia sido agredido e
asfixiado. O CPJ continua investigando estes crimes para determinar se estão
vinculados ao trabalho informativo dos três jornalistas.
Em 2008, o
jornalista de Chihuahua Emilio Gutiérrez Soto e seu filho, de 15 anos, fugiram de
sua casa em Ascensión, próximo de Nuevo Casas Grandes, para os Estados Unidos
alegando que sua vida estava em perigo. Gutiérrez, correspondente do El Diario do
Noroeste de Nuevo Casas Grandes, disse que havia recebido ameaças de morte
de pessoal militar depois de publicar notas sobre abusos de militares contra os
direitos humanos. Atualmente, aguarda a resposta a seu pedido de asilo político
nos Estados Unidos.

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